novembro 16, 2003

Um susto

Tudo isto para mim foi novo.
Tinha ido tomar café e comprar pão, regressava a casa, sem pressa, eram umas 10H de 6ª feira;( O horário de trabalho que cumpro é algo flexível por isso ainda não estava ainda a trabalhar àquela hora; porém, como dona de casa que também sou,o meu trabalho havia começado já algumas horas antes.) Bem, estava a 200m de casa e eu seguia tranquilamente quando um veículo me entra fora de mão no entroncamento à minha esquerda e, ignorando o sinal de estrada com prioridade, vem bater em todo o meu lado esquerdo...O estrondo, a imobilização dos veículos, o desligar o motor. Primeiro olhei para mim e pensei: nada de grave, apenas me dói um pouco o pescoço. Olhei o condutor do outro carro. Era uma senhora e ainda estava lá dentro. Tentei abrir a minha porta e, com alguma dificuldade abriu. Fui junto do carro dela e pelo vidro entreaberto perguntei-lhe se se tinha magoado. Respondeu-me que não. Estava a chorar. Foi então que olhei para a lateral esquerda do meu Focus preto: todo riscado, porta amassada...e eu sem telemóvel...tinha ficado em casa a carregar! Os outros carros estavam com dificuldades em passar uma vez que os nossos estavam a ocupar espaço na rodovia. Consegui que um senhor me deixasse utilizar o telemóvel dele para eu chamar o meu marido e me ajudar a preencher uma declaração amigável, pois a senhora,em consciência, sabia que tinha sido a culpada.
Tudo isto era novo para mim...e as minhas pernas comecaram a tremer! Tinha tantos planos para esse dia: Nada Feito! Nunca mais faço planos com antecedência para nada, lembro-me de ter pensado. Não chorei, não verti uma lágrima à frente das pessoas que passavam. Sentia pena pelo estado em que o meu Focus preto havia ficado, mas sentia-me grata por não termos sofrido fisicamente nem eu, nem a outra senhora.
Só chorei quando o reboque foi buscar o meu Focus e o levou para a Ford em Viseu.
Segundo o meu marido, vou ficar sem carro pelo menos um mês, com todos os transtornos que isso implica;
Veículo de substituição? Sim mas depende da oficina, blá, blá,blá...segundo a companhia de seguros.
Hoje, dois dias depois do acidente eu penso: e se eu tivesse demorado mais um minuto na pastelaria? Já não tinhamos batido...
E é isto que me incomoda: pensar que grandes acontecimentos ( pela positiva ou pela negativa) podem acontecer OU NÃO dependendo de coisas tão insignificantes como por exemplo demorar om pouco mais a saborear o café...
Vidas são colocadas em risco todos os dias porque pessoas inocentes estavam no sítio errado à hora errada; outros dirão apenas que "TINHA DE SER; ERA O DESTINO"...Será assim? Os Gregos entendiam que o homem era um joguete nas mãos do Destino; já os Românticos entendiam que o homem se limitava a "colher o que havia semeado", isto é, tudo o que lhe acontecia era consequência das suas acções...
E então? Em que ficamos?
Eu sei que se não tivesse saído de casa naquela 6ª feira, dia 14, não tinha tido um acidente de carro!
Acho que o melhor é permanecer assim...quieta e sossegada dentro de casa.

Publicado por whiteball em novembro 16, 2003 07:09 PM
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