...foi dia de lavar roupa e passar a ferro...
Varrer o empedrado do jardim que estava cheio de folhas caídas...OH..."Folhas Caídas"...de Almeida Garrett - uma colectânea de poemas....de que me havia eu de lembrar agora...vede só!
Pois foi, varri e fiz algumas visitas a blogs amigos! Ainda não terminei, claro... e alguns vão ter de ficar para amanhã! Mas lá irei...me aguardai.
E...então cá fica um poema de Garrett...por causa das ditas folhas caídas no empedrado do meu jardim...
O Anjo Caído
Era um Anjo de Deus
Que se perdera dos céus
E terra a terra voava.
A seta que lhe acertava
Partira de arco traidor,
Porque as penas que levava
Não eram penas de amor.
O anjo caiu ferido,
E se viu aos pés rendido
Do tirano caçador.
De asa morta e sem splendor
O triste, peregrinando
Por estes vales de dor,
Andou gemendo e chorando.
Vi-o eu, o anjo dos céus,
O abandonado de Deus,
Vi-o, nessa tropelia
Que o mundo chama alegria,
Vi-o a taça do prazer
Pôr ao lábio que tremia...
E só lágrimas beber.
Ninguém mais na terra o via,
Era eu só que o conhecia...
Eu que já não posso amar!
Quem no havia de salvar?
Eu, que numa sepultura
Me fora vivo enterrar?
Loucura! ai, cega loucura!
Mas entre os anjos dos céus
Faltava um anjo ao seu Deus;
E remi-lo e resgatá-lo,
Daquela infâmia salvá-lo
Só força de amor podia.
Quem desse amor há-de amá-lo,
Se ninguém o conhecia?
Eu só, - e eu morto, eu descrido,
Eu tive o arrojo atrevido
De amar um anjo sem luz.
Cravei-a eu nessa cruz
Minha alma que renascia,
Que toda em sua alma pus,
E o meu ser se dividia,
Porque ela outra alma não tinha,
Outra alma senão a minha...
Tarde, ai! tarde o conheci,
Porque eu o meu ser perdi,
E ele à vida não volveu...
Mas da morte que eu morri
Também o infeliz morreu.
E sejam bem vindos!O cão veio?
Já agora nem imagina como conheço bem mangualde,isto o mundo é pequeno,digo mais pequenissimo:-))))
Tb tive folhas mas não as varri ,adoro ter a sensação do outono ali bem espalhada....
Ora cá está já- e em paz pelo que vejo - esta família de amigos. Bom regresso!
Um abração do
Zecatelhado
Voltaram recompostos e logo as folhas deram a inspiração para ir buscar um belo poema do Garrett :) abraço para vocês.
Afixado por: ognid em agosto 9, 2004 11:58 PMAinda bem k o regresso correu bem :) . Agora de volta à rotina? :b . O poema é triste, mas bonito :) . Boa continuação de férias, se for o caso :) .
Afixado por: Tiago em agosto 10, 2004 12:08 AMVoltei WB =)
Beijinhos ***
Oh... "Folhas Caídas"... um livro que adorei e devorei... poesia a cada folha... a cada poema... a cada estrofe... a cada verso... a cada palavra... a cada letra... a cada... ;) Bjs
Afixado por: ridufa em agosto 10, 2004 11:26 AMAté uma vassoura pode trazer todas estas "varridelas" de letras... continua a "varrer"...
Afixado por: Carlos tavares em agosto 10, 2004 11:49 AMFundamental é que essas mini-férias tenham sido
retemperadoras do cansaço físico de um ano lectivo de trabalho. Sejam pois bem aparecidos.
De volta à rotina da vida diária... misturada com poemas que se encontram por acaso. Beijinhos
Afixado por: lique em agosto 10, 2004 01:11 PMPois eu levei dois dias - dois - a lavar a roupa e passar a ferro, depois de vir de férias. Falharam as musas, enquanto engomava nunca me lembrei de poemas... acho que, saturada por tanto engomanço e pelo calor do ferro, disse uns palavrões muito portugueses... Mas não contes a ninguem que é chato. Abraços.
Afixado por: Ana em agosto 10, 2004 09:58 PM