junho 12, 2005

Soares a presidente??? Porque não afinal

E pensando bem ... porque não.
Com a devida vénia uma carta hoje publicada no Jornal de Notícias por Jorge Reis. De facto ... mais uma luta conta o terror de boliqueime....dava gozo

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Caro Dr. Mário Soares, Saberá como a admiração é uma coisa bonita. Porque quando admiramos alguém sentimos como somos pequenos, como a humildade é uma coisa importante nos nossos dias. Admirar alguém é um acto de prostração à beleza da pessoa admirada. Saberá, dr. Mário Soares, como o admiro. Que o desafiei para um projecto nas "Quasi Edições" que, mesmo não tendo sido concretizado, o trouxe para a editora na tradução portuguesa da sua "Memória viva" exactamente devido a isso uma honra poder contar consigo no catálogo, um prazer desmedido ter apresentado esse livro, em Famalicão.

E admiro-o por todos os seus 80 anos. Pelo percurso, pelas humanas falhas, pelas qualidades, pela juventude. Como gostaria eu de ter a sua jovialidade do alto dessa idade! Se lá chegar, que o Deus em que ambos não cremos me permita isso mesmo.
Mas por que lhe escrevo, então, esta carta aberta? Para dar conta dessa admiração? Não. Para tal bastou um encontro, um nosso livro. Escrevo-lhe porque precisamos de si.
Ouvi-o, como tantos, dizer "basta", na festa do seu aniversário. Tinha comentado antes como desejava que dissesse o contrário. Mas entendi, claro, que achasse que era altura de parar. Mas, agora, as circunstâncias alteraram-se e temo bem que lhe tenha de pedir que anule esse seu "basta" e o substitua por um "força".
Estamos órfãos, na Esquerda e no país. As eleições presidenciais estão a chegar e não há candidatos. Só um putativo que, caso ninguém nada faça entretanto, terá uma passadeira vermelha estendida desde Boliqueime até Belém. E eu, como tantos, não quero. Não que tenha qualquer coisa contra o putativo, mas porque não é aquele o presidente que desejo ver timoneiro de Portugal. Quero-o a si.
E isto por força das circunstâncias, sim, mas porque já queria antes do seu "basta". Dr. Soares é o nosso rei sem monarquia, laico e republicano, com tudo o que de bom pode ter um reinado e sem nada que dele venha de mau. Não há barões nem condes, só o rei. Não há dinastia nem sangue, só eleições. Há um exercício moderno, majestoso, do cargo de presidente que foi - e há-de ser! - o seu.
É que não há quem vença o putativo, de tão embalado que está. O único que poderia um dia pensar em tal coisa está agora a fazer aquilo que mais ambicionou. Mas também não ganhava, bem sabe. Porque a memória, sendo uma grande ficção, é uma coisa muito selectiva. E a memória do pântano ainda está bem presente e a de outros exercícios absolutos do poder nem por isso. Quem fica, então?
Fica um D. Sebastião, sem querença para sair do seu nevoeiro. Ouço amigos falarem das suas qualidades e não as conheço na política. É uma opção. Acho que é altura de o deixarmos no Norte de África (mesmo que se chame agora Bruxelas ou afim) e perdermos este sebastianismo. Não quer, não quer. Eu também já não quero. Mas não ganhava.
Fica o nosso poeta nacional, mas a quem falta um alcance maior na população eleitora. Não dá para querer ganhar ao Centro com aquele discurso. Ou antes, dar dá só que só se se chamar Mário Soares.
E ficam o senhor governador e o ex-líder do PS. Ambos com capacidades demonstradas e possíveis presidentes, dentro de alguns anos. Mas não agora, quando o putativo está tão consensual - mesmo entre aqueles que nunca com ele foram consentâneos.
Não fica, portanto, gente capaz de ganhar. Nem de ser o que desejo e desejamos. Queremo-lo a si, porque pode ganhar, sim, mas porque é o nosso republicano rei.
Dr. Soares volte. Volte em "força" e esqueça o "basta". Precisamos de si. Nunca virou a cara a nenhum desafio e este é só mais um. O seu lugar é em Belém, de dia, e no Campo Grande, de noite. A D. Ozita toma conta da Fundação, não se preocupe. Volte para nós, que Portugal precisa. Porque eu preciso. Nunca colei cartazes por candidato algum, mas com 28 anos estou em boa idade para começar. Conheço-o pela sua vitalidade, pela sua "força". Quero conhecê-lo mais ainda pelo seu magistério numa nação que ficará, sem a sua candidatura, órfã de pai, de rei e de presidente.

Publicado por mocho em junho 12, 2005 03:31 PM
Comentários

obrigado portista de meia tigela

Afixado por: depenómocho em junho 12, 2005 09:01 PM

Eu já tenho lido discursos imbecis, mas este...
Algumas "pérolas":
"Estamos órfãos, na Esquerda e no país."
"Dr. Soares é o nosso rei sem monarquia..."
"Não há barões nem condes, só o rei."
"Não fica, portanto, gente capaz de ganhar."
"Queremo-lo a si, porque pode ganhar, sim, mas porque é o nosso republicano rei."
"Volte para nós ... Porque eu preciso."
"... numa nação que ficará, sem a sua candidatura, órfã de pai, de rei e de presidente."

Manda-o tomar as gotas...
Azurara

Afixado por: azurara em junho 12, 2005 09:25 PM

Eu apostava no tio Marocas mais uma vez!
A avaliar o que vai por aí...

Afixado por: canzoada em junho 12, 2005 09:44 PM

azurara
estás com medito.
fez-te mal ao nervoso
quem nos dera...

Afixado por: mocho em junho 12, 2005 10:16 PM

Talvez...sim...talvez!!!
BS

Afixado por: blueshell em junho 12, 2005 10:40 PM

Olá!
Na ronda habitual pelos meus blogues preferidos, aproveito pra desejar a este casal especial um bom fim de semana.

Aquele abração do
Zecatelhado

Afixado por: zecatelhado em junho 12, 2005 10:42 PM

Olha que eu gostava mesmo de ver o "bochechas" esmagado. Dava luta. Isso se o Cavaco lá for. Se não, pode ir o meu cão.

Afixado por: azurara em junho 13, 2005 12:00 AM