dezembro 05, 2003

Padres

Hoje apetece-me...provocar!
vou falar de Padres e do celibato! Pronto!... Já sei, qualquer dia tenho o Clero " à perna"!
Mas a verdade é que não posso entender porque é que os padres não podem casar e constituir família. Dizem-me que, sendo solteiros, fazendo voto de castidade, se dedicam mais à causa da Igreja...aos asuntos do Senhor...
Será? Então isso significa que, pedres de outras Igrejas, ou Pastores, como alguns são chamados ( por analogia com o Salmo 23 - "O Senhor é o meu pastor, nada me faltará...." ) não cumprem a sua "Missão"? Por se dedicarem à esposa e filhos, deixam de lado os "seus" fiéis? São menos caridosos? Não estudam as Sagradas Escrituras? Não se esforçam por espalhar a palavra do Senhor e evangelizar, para levar a Salvação a todo aquele que aceita jesus como seu Salvador?
Mas, que sei eu destas coisas???
Sou apenas alguém que frequenta uma Igreja não católica ( embora conheça bem os rituais e a liturgia) ...alguém que obtém "alimento espiritual" nessa mesma congregação...
E continuo a perguntar: será que os padres não são homens como todos os outros? Não me convencem aqueles que dizem que a castidade é algo voluntário que faz parte do "chamamento" espiritual de todo aquele que deseja enveredar pela carreira eclesiástica...
venham de lá outros argumentos, porque estes não me convencem...

Publicado por whiteball em 07:30 PM | Comentários (15)

dezembro 07, 2003

Pensamentos

"Quando se sentires só, olha em tua volta, talvez não me encontres mais, mas lembra-te; mesmo com os meus olhos cheios de lágrimas, meu coração sorrirá por você."
Amanda

Publicado por whiteball em 06:19 PM | Comentários (0)

Pensamentos

"Amamos geralmente as mulheres belas por inclinação; as feias por interesse; as boas, por raciocínio."
Amelot de la Houssaye

Publicado por whiteball em 06:21 PM | Comentários (0)

Sabia, sem saber
Tinha a certeza
Sem ninguém mo dizer…
E a pureza
De suas alvas mãos ondulava
Envolvendo-me e
Me embalava como outrora;
Agora, ainda sinto
Os mesmos odores,
As mesmas cores nas mesmas flores…
Sinto o cheiro do café acabado de fazer
E vejo a mesa posta para todos nós…

E eu sabia, sem saber,
Que não estávamos sós!

A Fé é acreditar no invisível,
Crer no inaudível,
Correr sem saber ao certo
Se o fim do caminho
Está longe ou perto!
E assim
O caminho nos conduzirá
A um local seguro,
Um Altar Sacro e puro
Onde nossa alma, para sempre,
Repousará!

Whiteball

Publicado por whiteball em 07:39 PM | Comentários (0)

dezembro 08, 2003

Eu sei que sou distraída

Era uma normal "loja dos trezentos", numa normal manhã fria de Dezembro. Aproxima-se o Natal e, como tal,as lojas começam a ficar atafulhadas de clientes. Alguns compram já algumas prendas , outros sondam apenas para mais tarde decidir, outros ainda enchem os cestos de coisas que não lhes servem de quase nada: são os "consumidores conpulsivos".... ora, eu havia entrado apenas porque precisava de comprar um ou dois pares de mini-meia. Dirigi-me ao local das meias de senhora e vi que havia várias caixas alinhadas - eram meias de várias cores e tamanhos;"Estas,não, que são de rede...estas também não porque são pretas" - pensei para comigo. Peguei numa caixinha azul e como não vi indicação nem de cor, nem de outra espécie alguma acerca do conteúdo, e como a loja estava apinhada de gente, resolvi pedir a ajuda da menina que estava ao balcão apenas a dois metros de mim. Alto e bom som berrei com a dita caixa na mão (e bem alto para ela ver) - " Olhe, desculpe, são de mousse ou são de lycra?" Fez-se silêncio na loja enquanto a menina tapava a boca com as mãos para não deixar que as gargalhadas se ouvissem; eu estava baralhada...afinal que se tinha passado? E perante o meu olhar inquiridor a menina, muito vermelha de tanto tentar conter o riso, lá respondeu- " minha senhora, não são nem de mousse, nem de lycra...porque não são meias; são preservativos"!
E lá continuava eu de caixa azul na mão... e alguns clientes esboçavam sorrisos, outros viravam costas para poder rir à vontade; coloquei a dita no mesmo sítio e peguei nas primeiras meias que vi ( e que realmente eram meias); paguei e saí da loja o mais depressa que pude e agora era eu quem, pela rua fora, me ria sozinha à gargalhada: sei que sou distraída, mas também que raio de ideia tinha sido aquela de colocar os preservativos no sítio das meias???Qualquer cliente que perguntasse:" Têm preservativos, por fazor?" - teria como resposta" Vá à secção das meias de senhora"; claro que a afinidade existe: meias e preservativos...é tudo para enfiar, só que em sítios diferentes, né?

Publicado por whiteball em 03:25 PM | Comentários (2)

dezembro 09, 2003

Medo

Não! Não tenho medo de ratos, de cobras, de abelhas, de lagartos, de centopeias ou de aranhas;não tenho medo de armas, do escuro ou de casas ditas assombradas; não tenho medo de palcos, de dentistas ou ginecologistas...

TENHO MEDO:
da ignorância, da presunção, da ambição desmedida e da hipocrisia da humanidade...

Publicado por whiteball em 05:48 PM | Comentários (0)

dezembro 10, 2003

Ser aluno

Nunca foi fácil ser aluno: eu lembro-me do medo que tinha, por exemplo, de ir para as aulas ainda na escola primária( era assim que se chamava)! Mas esse medo continuou quase sempre enquanto estudei...e eu gostava de estudar! Nos dias que correm também não é fácil ser aluno: há muita pressão por parte dos pais, há a corrida às "classificações"...para se poder entrar, depois, no ensino Superior! Mas... e ser-se professor? Será fácil ser-se professor ? Quantas turmas tem cada professor? quantos níveis diferentes tem de preparar? quantas fichas de trabalho tem de elaborar e corrigir? A que problemas de comportamento tem de dar solução? Os alunos são pessoas, adolescentes com todos os problemas que caracterizam este período de suas vidas! Quantas vezes o professor não tem de intervir para aconselhar? Além de informar tem de FORMAR jovens, transmitir valores, orientar de forma a que no fim sinta que cumpriu a sua missão. E...já que falei em cumprir...os professores têm de seguir programas e têm de chegar ao fim do ano com os conteúdos dados...o tempo é, por vezes, um inimigo.
E os professores que dão aulas aos alunos do ensino recorrente nocturno? Quase todos esse alunos trabalham,são homens e mulheres (alguns já com filhos) que querem completar à noite os estudos que, por qualquer motivo, em tempo oportuno não lhes foi possível concluir. Depois de um dia de trabalho - uma noite de aulas; e os professores têm de entender as dificuldades destes alunos e aplaudir quando, apesar de muito esforço, conseguem bons resultados a nível de aproveitamento. Mas...também aqui os professores (ou a grande maioria) está constantemente a preparar aulas, a fazer exames, a corrigir exames, a fazer pautas para afixar, a fazer registos nos documentos para isso existentes...
Então será fácil ser professor? É que o professor também é uma pessoa, um ser humano;e além de tudo o que antes já foi referido há reuniões de toda a espécie e conteúdo. Que tempo resta ao docente para a sua auto-formação? para se manter actualizado?E sempre a pressão de ter de cumprir um programa num prazo estipulado. E pressão psicológica nos momentos de avaliação, quando tem de se atribuir uma classificação?...
Não é por acaso que estudos provam que a classe dos professores é uma das que mais procura a ajuda de psicólogos e psiquiatras dado todo um enorme desgaste físico e psicológico. Não é fáci ser-se aluno mas...também não é fácil ser-se professor. MEDITEMOS NISTO!

Publicado por whiteball em 10:57 PM | Comentários (1)

dezembro 11, 2003

Neste deserto de ideias - Crónicas do deserto

Hoje apenas uma referência. É sempre agradável encontar páginas de professores, tranquilas, coerentes e que de forma aberta falem dos problemas, do dia a dia das escolas. Isto numa altura em que se sente por parte dos professores um receio de falar , receio de emitir opiniões, um receio de assumir a profissão com a dignidade que merece.
Por isso uma visitinha ao Crónicas do deserto aconselha-se.
E já agora à página pessoal
O mocho

Publicado por mocho em 07:53 PM | Comentários (0)

dezembro 18, 2003

Velho Navio

Movidas pelo vento as velas
Desse navio velho
E vazio trazia consigo
O luto dos que no mar
Foram sepultados...
Aqueles que ele embalara
E que se foram,
Pelo tempo levados,
Da sua presença roubados...

E o velho navio trazia consigo
A saudade e a dor de uma morte
Que seria a sua...
E esse velho navio
Que navegara por tantos oceanos
Tantas vezes se guiara pela lua
E durante tantos anos
Tinha sido motivo de inveja e orgulho...
Era, hoje, um moribundo
De escotilhas abertas, salas desertas...

O mar acolhe-lo-ia
Se o deixassem regressar
Uma última vez!
Assim, poupar-se-ia
À humilhação de ser
Em lenha transformado!
Que um velho e honrado navio
Não pode ser assim maltratado....


Publicado por whiteball em 06:36 PM | Comentários (0)

dezembro 22, 2003

Falha minha

Bem sei, bem sei...tenho colocado o meu Blog em segundo plano ...mas tenho tido muitos afazeres...coisas mil, preocupações sem fim! Mas prometo, querido Blog, tratarei de ti muito em breve.

Publicado por whiteball em 12:25 PM | Comentários (0)

Natal

Certas épocas do ano fazem mais impressão do que outras, o que até é natural. Mas o Natal, se por um lado nos encanta com a sua luz, as suas melodias, a celebração, segundo a mitologia cristã, do nascimento do nosso Redentor,…por outro lado tem algo de triste e de nostálgico. Eu explico: a sensação de que o Tempo, que nós gostaríamos de reter, nos escapa segundo após segundo, e que os momentos de alegria se perdem na imensidão do infinito tal como se perde o odor a canela das rabanadas acabadas de fazer. E quando mal damos conta, o Natal já passou. Dele ficaram as memórias, e dessas apenas algumas…
Depois há ainda a recordação de Natais passados, Natais com mais pessoas à mesa, pessoas que já partiram e não estão mais entre nós; pessoas queridas para quem já não compramos um presente – e isso dói!

Publicado por whiteball em 09:15 PM | Comentários (0)

Desapareceu...

Um dia, pela tardinha
Encontrei uma bela flor...
Sua cor e seu odor
Do mais fino e requintado
Os ares enamoravam
Terra e o sol se envergonhavam
Perante beleza tal...
Egoísta e sem pensar
Agi sem cuidado e mal:
Cortei pelo caule a flor
Que, sem do sol o calor,
Diante de meu olhar
Começava a morrer.
Mas
Nada havia a fazer...
Fora tolice minha!
Se eu houvesse pensado
Não a teria cortado,
Ela não teria morrido e
Eu mais uns dias de vida
Lhe teria concedido.

Poema feito para um amigo

Publicado por whiteball em 09:41 PM | Comentários (0)

dezembro 25, 2003

NÃO TENHO FILHOS e tremo só de pensar

Recolhido na Net e da autoria de um jornalista cujo trabalho desconheço.
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" NÃO TENHO FILHOS e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce não numa família mas numa pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade. "

João Pereira Coutinho, Jornalista

Publicado por mocho em 05:52 PM | Comentários (0)

dezembro 26, 2003

Picante...mas pouco!

Era uma escola secundária de província, num lugar qualquer, não importa. A professora, uma senhora pachorreta e bem disposta, lá ensinava a matéria, dia após dia, fizesse sol, vento ou chuva; "tinha queda para a coisa", gostava dos seus alunos e zelava pelo bom nome e prestígio da sua profissão. O que ela não tolerava era indisciplina na sala de aula; tinha sido "traquina" nos seus tempos de estudante, era um facto, mas sempre respeitara ordens e sabia qual o seu lugar.
Naquele dia já tinha avisado duas vezes que não queria ninguém a mascar pastilha elástica. Sempre gostara de ensinar "Folhas Caídas" e o barulho das bolas de pastilha a estalar pereciam-lhe uma afronta ao pobre Almeida Garrett(coitado, tão infeliz no amor). É verdade sim, ela comovia-se sempre com aqueles versos, independentemente das vezes que os lia:"Este inferno de amar - como eu amo..." Mas naquele dia os alunos estavam "impossíveis", excitados, irrequietos e não viam a dor que transbordava daqueles versos " Que saudade, ai amor, que saudade!" - E então uma bola de pastilha elástica estalou quebrando toda a magia de um universo sonhado mas vivido pelos que deveras estão apaixonados - que a nossa professora tinha um desses corações que continua a arder em paixão após dezassete anos de casamento!
E foi então que a sua voz desabou sobre aquelas cabeças, penetrou aqueles ouvidos, fez vibrar aqueles tímpanos...como se um vai-vém espacial se lembrasse de aterrar mesmo por cima da sala de aula. e disse - "QUEM TIVER BOLAS COLOQUE-AS IMEDIATAMENTE NO CAIXOTE DO LIXO"!
Silêncio penetrante; os rapazes, com ar horrorizado levaram instintivamente as mãos ao sítio onde tinham o sexo, como que para o proteger; depois timidamente cruzaram-se olhares: até as meninas haviam ficado pálidas pois julgaram, por instantes, acabar-se-lhes ali o seu futuro como esposas e mães...
Mas a nossa professora, vermelha de ira, prosseguiu:"É UMA FALTA DE HIGIENE E UMA FALTA DE EDUCAÇÃO, ALÉM DE SER UMA FALTA DE RESPEITO; DAQUI PARA A FRENTE SÓ ENTRA AQUELA PORTA QUEM NÃO VIER COM PASTILHA NA BOCA!"
A esta altura já muitos respiravam de alívio mas a pobre senhora nem se havia dado conta do susto que pregara aos alunos.
O que é certo é que Nunca Mais, naquela aula, entrou algum aluno com pastilha
elástica...vá-se lá saber porquê...

Publicado por whiteball em 02:21 PM | Comentários (0)

dezembro 27, 2003

Tenho medo que não gostem de mim

Tenho medo que não gostem de mim


O nosso piolho

É o titulo da entrevista de Marisa Cruz ao Expresso de hoje.
AIAIAIAII
Mas a pequena não tem espelho em casa...

Marisa : Aqui do mocho vai...
Descansa... GOSTAMOS MUITO DE TI

Publicado por mocho em 12:16 PM | Comentários (36)

O problema (da falta) do ensino

Um texto de um colega de seia - Publicado no Expresso
............................................................
Vamos lá a esclarecer este triste e arrastado problema do ensino em Portugal e sobretudo no Portugal profundo - o interior beirão - a minha zona.

Clarifiquemos a minha posição sobre este assunto, que, aliás, é pública há mais de 12 anos (sendo que sou professor há cerca de 16). Por todo o lado tenho escrito o que penso e não será uma sociedade de medrosos (podem trocar as consoantes da segunda sílaba, que o resultado é o mesmo) que me fará ser igual a eles. Nunca o fui. Sempre disse o que tenho a dizer e, neste caso, fruto de profunda reflexão e prática profissional de mais de década e meia.

É evidente que a culpa de termos a pior escolaridade da Europa - de termos o maior abandono escolar da Europa e de termos os alunos mais incultos da Europa - não é só dos professores.
Mas é, na sua maior parte, deles.


É que, se não percebemos isto, temos então que concluir pela alternativa: que temos os alunos mais broncos da Europa porque são os mais atrasados mentais da Europa, já que o que se estuda aqui é praticamente o mesmo que se estuda em todo o lado.

Falemos na Matemática: um «papão» a nível do 12.º ano.

A minha escola tem índices de aprovação, há pelo menos quatro anos, da ordem dos 70 por cento.

No secundário, essa média não ultrapassa os 40 por cento e no 12.º não chega sequer aos 30 por cento.

E não se tem podido ir muito mais além, na minha escola, porque os mesmos alunos que atingem 70-80 por cento e até mais nos testes simplesmente não entendem o que se pretende num problema vulgar.

Eles lêem, mas não percebem o que se pergunta.

Se lhes explicarmos o que se pretende, imediatamente respondem acertadamente.

Ora, o mesmo (eu sei) se passa às demais disciplinas.

Eu peço aos meus alunos que leiam os enunciados e, em cada turma do 9.º ano, não há mais do que três ou quatro cuja leitura seja aceitável. E, mesmo desses, uma parte (cerca de metade) não percebeu exactamente o que leu.

A forma perfeitamente balbuciante como os alunos que saem com a escolaridade obrigatória lêem um pequeno excerto de um texto indica claramente a falta de hábitos, a falta de treino de leitura.

Há alunos que praticamente só lêem o que o professor lhes manda ler, na aula.

Ora, isso é manifestamente insuficiente.

Possuímos, os portugueses, um património de valor inestimável: a nossa língua, que nada tem a ver, hoje, com a imediatamente associável «língua de Camões» (trata-se de mais uma triste demagogia) e já pouco, mesmo muito pouco, com a de Eça.

Aquele estilo é impensével usar-se, como é impensável dizerem-se aquelas coisas daquela forma, hoje em dia.

Mas o património linguístico que hoje temos é o resultado da evolução natural de Camões e de Eça, como da maioria dos grandes escritores portugueses e até da oralidade do vulgar cidadão da rua (não estou a falar do execrável «bués» e do capa substituindo o quê, como é evidente. Ainda não cheguei a esse nível).

A primeira coisa que um estudante de qualquer assunto tem que fazer é trabalhar.

Uns precisam de mais; outros, mais dotados, que assimilam as regras e os mecanismos com mais facilidade, de menos trabalho. Mas todos precisam de trabalhar.

Ora isso é coisa que não se faz, no ensino básico.

Os professores demitiram-se da obrigatoriedade do controlo do estudo por parte dos alunos.

Mandam-nos estudar, apenas. Nada mais.

Eles, claro, não pegam num livro. E está tudo bem, porque, no final, mesmo quase não sabendo ler, os alunos fazem o 9.º ano.

Esse é o primeiro crime que está a ser perpetrado no ensino.

Por negligência, é certo, mas igualmente um crime.

Se o aluno não estuda, não pode saber, não pode dominar os assuntos que estão na agenda - currículo - e, portanto, se o professor o passa de ano sem ele ter os conhecimentos que lhe permitam alicerçar os seguintes, o professor está a ser cúmplice de um logro.

Um logro para o aluno, que «passa», e por isso se convence de que sabe; um logro para a escola, que, aprovando o aluno, está ciente de que o aluno tinha condições para passar; e, o pior de tudo, um logro ao país, que paga o ordenado ao professor, na convicção de que este consegue transmitir os conhecimentos, as perícias e as capacidades requeridas pelo sistema de ensino em vigor, o que é, obviamente, mentira.

É por verificar que o professor médio hoje em dia não se preocupa suficientemente com a evolução dos seus alunos que eu sustento que é sua a maior parte dessa culpa.

Não porque não saiba ensinar, não por não ser competente em identificar as matérias mais importantes em cada nível de ensino. Não é por nada disso.

É apenas porque não acompanha suficientemente o aluno, porque não identifica as dificuldades em cada caso, porque não tenta descobrir a forma de ultrapassar esses obstáculos que já vêm, muitas vezes, de trás, preferindo descarregar sistematicamente a velha frase de «este aluno nunca percebeu nada disto, não tem pré-requisitos, nunca se interessou por isto».

Estamos todos fartos de ouvir estas «desculpas», que, pretendendo desculpabilizar o professor, mais o penalizam por revelarem a sua incapacidade para resolver os problemas para os quais foi contratado e que consubstanciam o seu vencimento ao fim do mês.

Vivemos numa pequena cidade do interior, com alunos oriundos da mais funda e insuspeitada ruralidade.

Mas temos uma escola equipada com tudo o que é necessário para ultrapassar essa insuficiência.

E temos cinco anos de contacto com os alunos. Mais do que o tempo que eles passaram nas escolas do 1.º ciclo (vulgo primária).

Temos uma biblioteca recheada com todo o tipo de livros sobre todos os temas que se possa imaginar. Temos vídeos didácticos, jogos interactivos em CD, internet a qualquer momento. Meios bastante diversificados que muito ajudariam, se utilizados, a consolidar aquilo a que vulgarmente se chama «cultura geral» - expressão ingrata mas que identifica todo um conjunto de saberes basilares sem os quais é comummente aceite que não estaremos a formar pessoas, mas simples autómatos.

Não temos desculpa se, no 9.º ano, depois de cinco anos (pelo menos) de trabalho com um aluno, ainda temos o desplante de desabafar que «eles já vêm assim da primária».

Haja um pouco mais de vergonha ou, pelo menos, de contenção.

Interactividade positiva

Exemplifico aquilo a que eu chamo interactividade positiva: ao resolver um problema de proporcionalidade inversa (matemática), sobre o tempo de construção das pirâmides do Egipto, pode aproveitar-se para se falar nas próprias pirâmides em vez de elas servirem apenas como mero pretexto para se fazerem umas contas mais ou menos chatas a seguir. Porque foram construídas, quando o foram e quantos milhares de toneladas de pedra foram necessários para a sua construção. Se os funcionários eram ou não escravos e, se não eram, se de facto eram voluntários, a troco de quê trabalhavam toda a sua vida nessas obras.

De onde veio toda aquela pedra, por que meio de transporte e como foi possível colocá-las em sobreposição dado que, há milhares de anos, não havia gruas.

Posso garantir que este sistema interactivo funciona às mil maravilhas.

Os alunos interessam-se pelo assunto, o que representa 80 por cento do caminho andado.

Depois é só «obrigá-los» a trabalhar, através da descoberta, da pesquisa, para chegarem às conclusões sobre as possíveis respostas às questões formuladas.

Ora isto é exactamente o contrário do que hoje se faz.

Faz-se-lhes as perguntas do livro e dá-se-lhes praticamente as respostas implicitamente e, por isso, eles não têm a curiosidade natural de descobrir.

Desinteressam-se porque não há mistério, não há a emoção na descoberta. Não há, no fundo, nada que os desperte para o trabalho de procurar descobrir, sempre o caminho mais fácil e eficaz para o saber.

E também para quê, afinal? Se, ainda por cima, sem nenhum trabalho sempre vão passando...

Quando os professores reganharem o gosto por ensinar e começarem a ver os resultados, tenho a certeza absoluta de que o ensino melhorará e deixaremos de ter a vergonha que é verificar que os alunos que nós damos como aptos para a prossecução dos estudos raramente chegam mais além.

Essa é a principal vergonha para todos nós.

Afinal, nós não somos pagos para distribuir diplomas de escolaridade mínima admissível a quem permanecerá, para sempre, analfabeto funcional.

15:07 10 Dezembro 2003
J.T.
Seia

Publicado por mocho em 12:33 PM | Comentários (2)

Era o que me faltava

Pois sim...era só o que me faltava: ter cá em casa um Mocho "encantado e derretido" pela Marisa Cruz...

Logo para o jantar vou-lhe buscar um "take away food"...

MELHOR: não janta! Ora essa!

Publicado por whiteball em 07:45 PM | Comentários (0)

Estranho-tanta asneira só de dois Durões

Ora vejam lá esta noticia recolhida do bogue o teu olhar:
Uma leitura cuidadosa da edição online do público de hoje traz-nos estes dois artigos como uma verdadeira pérola da contradição do nosso querido primeiro ministro.
Senão veja-se:

neste artigo Durão Barroso não pode comparecer a um Jantar com os sem-abrigo Lisboetas devido a doença - citamos: "O primeiro-ministro, Durão Barroso, falhou hoje o jantar que tinha agendado com 800 sem-abrigo da zona de Lisboa, por motivo de doença."

neste artigo (do mesmo dia), Durão Barroso esteve em Celorico de Basto numa homenagem prestada pela autarquia a Marcelo Rebelo de Sousa - citamos: "Durão Barroso, que esteve presente na cerimónia, foi instado a comentar as afirmações do comentador e militante do PSD, mas escusou-se a fazer declarações sobre a possível candidatura de Cavaco. "

Temos então dois primeiros ministros? Ou um primeiro ministro mentiroso? Já não percebo nada :(

Publicado por mocho em 08:47 PM | Comentários (3)

As maravilhas da Bimbolândia

Não , não vou falar da Marisa Cruz , que embora possa ser considerada uma das maravilhas do mundo , não é portista mas sim leoa.

Retirado algures das News... As Maravilhas do Grande Clube dos seres Mitológicos

"As Grandes Pirâmides" - São 3 as pirâmides da mafia do mundo portenho; A
pirâmide de Arbitrarius, a pirâmide de Oliveirassos e a Grande Pirâmide de
Costas, feitas em homenagem a alguns imigrantes da Sicília que se fixaram
nesta província e se dividiram por diversos cargos de decisão da altura. O
nome da grande pirâmide representa bem o modo de estar dos habitantes desta
região em relação à capital da nação. De referir que a pirâmide de
Arbitrarius tem-se mantido intacta no decorrer dos anos, já a de
Oliveirassos viu uma das suas fachadas ruir em 2002.

"Jardins Suspensos da Bimbalonia" - Recintos onde se praticavam treinos de
competição desportiva ao mais baixo nível, um género de luta livre sem
regras. Nestes jardins, os adversários que demonstrassem técnica elevada
eram suspensos (dai o nome).

"Templo de Mourinhis" - Reza a lenda de Mourinhis, que foi uma criatura de
natureza muito especial, concebida defeituosamente pelo mesmo criador de
Pinoquio, não tão perfeito, todavia auto-considerava-se como tal. Este
charroco transformado em Dragão, dava largas à sua imaginação, sendo que a
sua característica principal consistia na forma como conseguia movimentar os
lábios sem conseguir transmitir qualquer ideia com êxito. A ultima vez que
foi visto, estava de camisa de forças no Rio de Janeiro, gritando : "Eu sou
o Pedro Alvares Cabral e descobri o Brasil"

"O Mãosóleu da Baia" - Monumento concebido a um criador de frangos, mas
que nunca foi seleccionado devido a PeruMenores.

"O Templo das Antas" - Onde ainda se costumam avistar milhares de
criaturas pré-históricas, naquele que é conhecido por ser um local bastante
ventoso, já que se encontra desprovido de algumas paredes fundamentais.

"Cotovelo de Rhodes" - Colosso construído por Dom Paulladas Santos, em
homenagem aos problemas motores dos atletas desta região, uma espécie de
humanos, com dificuldades nos membros superiores, aquando da pratica de
desportos colectivos.

"A Retrete de Alexandria" - Chegou a ser penhorada e hoje em dia as
actividades que se faziam na altura, são praticadas ali mesmo no relvado
deste recinto, ainda consideradas pela maioria uma verdadeira merda!


Publicado por mocho em 08:52 PM | Comentários (1)

dezembro 28, 2003

Pensamentos

"Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só."
Amir Klink

Publicado por whiteball em 09:49 PM | Comentários (0)

dezembro 29, 2003

irra!

Irra, que falta de inspiração,que chatice, porra! Ainda por cima tenho tanto que fazer que nem sei por onde começar, caneco...só me apetece dizer asneiras e bacoradas...coisas pouco dignas de uma senhora. A sociedade impõe "espartilhos", ou "camisas de forças", tanto faz, e uma pessoa não se consegue libertar...que raiva...que depressão!
Desculpa, querido blog, foi só um desabafo: tu não tens culpa nenhuma.

Publicado por whiteball em 01:11 PM | Comentários (0)

Pensamentos

"A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado."
Anatole France

Publicado por whiteball em 01:15 PM | Comentários (0)

dezembro 30, 2003

Pensamentos

"O amor é a história da vida das mulheres e um episódio na dos homens."
Anne Louise Germaine de Staël

Publicado por whiteball em 05:32 PM | Comentários (0)

dezembro 31, 2003

2004

Algum receio se instala todos os anos por alturas da passagem de ano. É o não saber que coisas nos reserva o novo ano; é como pisar um caminho íngreme em plena treva; hoje em dia, então, com todas as desgraças que constantemente sabemos que acontecem, a apreensão é ainda maior...

mas isto sou eu...

Quanto a vós, não sei que sentimentos vos assolam!

A TODOS desejo um 2004 cheio das maiores Bençãos Divinas.

Whiteball

Publicado por whiteball em 12:15 PM | Comentários (1)