Em cada rosto marcado pelo Tempo e pelo trabalho, pelas dores e pela fome…pelos sonhos nunca sonhados [luxo dos ricos…essa “coisa” do sonhar ]…a vontade de mudar!
Nos ossos que carregam uma vida plena de tudo o que dá cor ao Ser…a vontade de saber que se é “Alguém”…que alguém se importa, que alguém dá valor ao ser-se gente da terra, gente anónima que sente e chora e ri e faz amor…
Em cada olhar dessa gente que é a minha também…eu quis deixar um pouco de mim: então, dei-me em fúria e desespero como virgem apaixonada em total entrega…
Dei-me…e fiquei sem mim, assim…
WB
Ena... já tinha saudades disto... um post sem abordar a campanha... :-) Já estás em reflexão? Não reflictas muito, ainda acabas por votar em quem não queres... Bom fim de semana... :-)
Afixado por: Carlos Tavares em outubro 7, 2005 09:24 AMRealmente mais uma vez fica mais que provado que a campanha de joão azevedo conta com pessoas intelegentes, doidas, sofridas,que sonham que acreditam na mudança, por isso se entregam totalmente, com alma e coração, com a certeza de entrega a uma causa justa, sem tabús, sem demagogia, sem aldabice, sem catolicismos fingidos,sem cristianismos falsos.
As montanhas estão a ser removidas a aderencia é total.
E ATÉ OS POETAS CHORAM, CLAMANDO DE ALEGRIA E ENTREGA TOTAL E DESCOMPREMETIDA E SEM CONDIÇÕES AO PRENUNCIO DA MUDANÇA.
Eu eu tambem ZÉ Povo.
Ó MOCHO, possuido desta dor que me atormenta, por ver a má educação e falta de respeito destes meninos e senhores do psd, que o Sr, Anónio Silva está a educar.
Acabei de chegar a uma óptima solução que é o de estarmos a dar importância a gente desta, que não interessa, por mim vou dixa-los a falar sozinhos, não os vou ouvir e se alguma "trombeta" suprar alto vou pura e simplesmente tapar os ouvidos, porque já me enterroguei e obtive as respostas, "dadas á volta de gil Vicente".
A Farsada de Pochês Santeiro, que continua a sonhar com uma beata, sabendo que um homem solteiro é como panela sem asa...
Coitado! Assim hei-de estar / Encerrado nesta Casa / Como panela sem asa, / Que sempre está num lugar?
Mas vamos deixar esta “Farsada” em direcção a uma das Comédias, onde podemos encontrar Antonino Mofino Mentes, que nos dá o sonho e o riso em Si,
Talvez o riso junto do sonho nos pareça menos amargo, creiam que este não é um sonho de fadas são o sonho de um homem de carne e osso, igual aos seus iguais. Mofino Mentes, o mentiroso e fantasioso...
Em cena, apenas Mofino Mentes “O Fantasioso e mentiroso” ele é um aliciador pastor e o patrão o Povão de Azurara, pede-lhe contas, perguntando-lhe pelos recursos postos á sua guarda, a saber outros mais, alguns que tais, toda a cascalhada, toda a boiada e toda a carneirada.
Onde deixaste a boiada, / E as vacas, Mofino Mentes?
Desde logo, Mofino Mentes, zanga-se por lhe pedirem contas e faz lembrar ao grande Povão o quanto este lhe deve por anos, de tantas promessas.
Mas que cuidado vós tendes / De me pagar a sujeição / Destes anos de Representação?
Mas o Grande Povão insiste: - Mentes! dá-nos conta do que fizeste tu , onde ficou o gado e o pilim meu?.
O Mentes lá tenta dar conta, sem matutar e sem pestanejar e desprendido da realidade.
O pilim teu! Foi, um ar que lhe deu, / A boiada não a vi eu,
Andam lá não sei por onde / nem sei que pasto é o seu. / Nem as cabras nunca vi
Mas não sei a quem dizer ouvi / Que andam por aí...
O Povão, começa a ficar aborrecido, “claro que fica mesmo chateado” e exige – Dá-me conta de rês a rês, pois estás a perder o teu tempo!., e mais uma vez o Mente responde. - Das vacas morreram Sete, e dos bois morreram três.
O Povão, já farto de tanta desvario, arrepela-se, tal a descaramento do servidor Mentes, mesmo assim continua com as perguntas mal fadadas.
- Que má conta tu me dás, quão mal guardaste o cascalho e o gado? Agora confessa Mentes, que tal aconteceu aos meus porcos, ás minhas trinta vitelas, das vacas que te entregaram? diz-me; e dos cabritinhos, que recado me dás tu?
- Eram tenros e gordinhos, / e a raposa tinha filhinhos, / e patuscou-os um a um.
E assim ficou chainha / e muito bem redondinha / já não come mais nenhum.
O Povão aflige-se arrepela-se e grita como um possesso, – aqui d’el rei... aqui d’el rei., já que a guarda não o faz, acudam-nos. Mas de novo volta a si e passa a repostar, com toda a força da sua alma.
- Essa raposa, essa sezão, / Se a corrias apressadamente / Não fazia tal destruição:
Porque mais corre o Mentes, Vinte vezes que a raposa. Se ela contigo viveu / Foi por lá que aprendeu,
Mofino Mentes, fica aborrecido e responde, – calma aí, meu amo, já dei a relação do Vosso cascalho e do Vosso gado, sem me ter enganado e na pontinha da língua, ficou Vossa Senhoria a saber que consegui ser um bom servidor da “rés que já foi vossa”, por tal empenho e dedicação pagai a minha remuneração sem esquecer a reforma.
Mas o Povão tinha esperança em ver e ter como sua, a Casa dos Estudos Vicentinos. - Onde posso encontrar essa tal grandeza e honra..., e moita!.. – estás a ouvir? Mau servidor da grei, onde posso encontrar essa tão honrosa casa?
Perante tal insistência, já não sabendo que dizer, Mofino Mentes perde o olhar no abandonado, aberto, recheado de ar e vento, negro e pesadíssimo cofre de ferro. – Que estás para aí a malucar, O cofre já secou, mas a obra não se notou, não se encontra quem a viu, nem quem saiba se existiu.
Mentes, como que azabumbado mantém-se petrificado naquele gigante, falando para os seus botões, torna a reanimar e dispara a prometer com entusiasmo.
Vou já futurar um subsídio virtual.!, logo correr á feira semanal e fazer muito dinheiro com o resto de pedras “de calceteiro” que de lá poderem tirar, todos vós podereis ver, com o dinheiro que render, o que posso ainda prometer...
Comprarei gaitas de lata / mais alguns ovos de pata, / Que é a coisa mais barata / Que eu de lá posso trazer
E estes ovos chocarão, as gaitas atrairão mais patos e algum pavão, ao vender tudo isto, vou fazer um dinheirão, com outros que tais ou mesmo iguais passará a ganhar-se um milhão, mesmo vendendo ao desbarato! Assim depressa ficamos ricos, e distribuiremos mais tachos.
E o bom do Mofino Mentes sonhava embebido no pensamento vendo a cesta de ovos, mas no percurso tropeça num buraco da estrada e a cesta cai ao chão. – Agora que posso eu dizer?...
Se as:
Pedras ficaram por vender / Os ovos por comprar / Os pavões, mais os patos por nascer / O Mercado Novo por benzer. / A casa dos Estudos, para esquecer / Sem dinheiro para gastar / Subsídios por pagar / Associações a definhar / E Mofino Mentes a bailar / As festas sempre de arrasar / E á tripa forra gastar. / Em largos por calcetar, / E estradas por reparar / Quando O do Fraque chegar. / O povão é que vai pagar. / Praque meide chatear!
Mas o Povão de Azurara não se conforma, cisma e torna a cismar, interroga-se, será que terei de suportar um tão mau servidor, com provas dadas de, enganador, descuidado e deplorável defensor de enganos?
Mocho e Whitheball peço-vos desculpas por este abuso, mas quero dizer-lhes que há novo post em "A Voz do Zé-Povinho"!
Cumprimentos