Harry Potter a caminho da maturidade
Daniel Radcliffe é Harry Potter
No embate directo com o tríptico de Peter Jackson "O senhor dos anéis", as aventuras de Harry Potter sofreram a diminuição artística do aperto do seu ângulo o propalado jovem feiticeiro destina-se essencialmente às plateias juvenis - afastando assim o espectador adulto mais exigente. Mas se a dramaturgia dos filmes que nasceram da pena de JK Rowling pode ser considerada menor se comparada com o alcance da visão da Terra Média de Tolkien, já os seus resultados em bilheteira compensam: quando os primeiros filmes de cada uma das séries se enfrentaram no Natal de 2001, Potter arrecadou 90 milhões de dólares no fim-de-semana de estreia nos EUA (contra apenas 60 do primeiro volume dos "Anéis). Encerrada a trilogia de Jackson, Potter continua a caminhar, estreando já na próxima quinta-feira o quarto volume: "Harry Potter e o cálice de fogo".
Pela primeira vez, o 'franchise' tem direcção de um britânico - Mike Newell, autor do celebrado "Quatro casamentos e um funeral". Socorrendo-se do efeito potenciado pelo "regresso a casa", o filme adopta uma estratégia de marketing distinta, promovendo a "nova maturidade de Harry", o feiticeiro órfão e anti-herói da aventura.
Com a manutenção do trio original de protagonistas (Daniel Radcliffe/Potter; Emma Watson/ Hermione; e Rupert Grint/Ron), a exploração do efeito de familiaridade garantirá o sucesso de bilheteira, permitindo-lhe agora atacar um espectro de idades mais alargado. A revista americana "Variety" garante que se trata do "Potter mais negro de sempre", sublinhando que as temáticas em análise evoluíram sobre a insipiência de outrora. Potter debate-se agora com dramas reais romance, ciúme, mortalidade. JMG