junho 07, 2006

Será que Mangualde vai ter ou não uma central de Biomassa?

O vereador João Azevedo aperentou em nome do Partido Socialista, na reunião da câmara de 17 de Maio sobre o interesse para Mangualde em posuir uma central de Biomassa. Nomeadamente referiu:
...o Protocolo de Quioto obriga a que Portugal tenha 39% da energia proveniente de origem renovável. No mesmo sentido, o Governo tem dado passos significativos na aposta da produção energética por via das energias renováveis. As centrais de biomassa são duplamente positivas: eliminam detritos florestais, cuja acumulação em demasia é extremamente perigosa e uma das principais causas da propagação dos fogos florestais e proporcionam a criação de grandes mais valias económicas. Para Mangualde, na defesa do seu património florestal e na criação de mais uma fileira económica seria extremamente benéfico ter acesso a uma das novas concessões.A experiência de Mortágua tem sido por todos estudada e está-se agora na fase da sua replicação em vários concelhos de todo o país. A acrescentar aos benefícios ambientais e económicos, a existência de uma Centra1 de Biomassa tem impacto positivo pela criação de emprego directo (20 a 30 pessoas) e indirecto. De especial importância reveste-se o de carácter indirecto, relacionado com o sistema, de recolha de resíduos, dado que, possibilitando a criação de pequenas empresas destinadas a este fim, consolida o tecido empresarial associado à exploração agrícola e florestal.Uma vez que até ao momento é desconhecida qualquer posição da C.M.M a este respeito os vereadores eleitos nas listas do Partido Socialista propõem que a C.M.M. contacte empresários mangualdenses, nomeadamente os desta fileira industrial e em especial a empresa SONAE Indústria, disponibilizando-se para colocar ao serviço destes toda a colaboração institucional, factor indispensável em qualquer processo vultuoso de investimento. tarefa fundamental das Câmaras Municipais dos tempos de hoje é a promoção e o incentivo à economia local. "
Perante esta questão o senhor presidente referiu que está em negociações com um representante do Grupo Sonae e que em princípio, a Câmara irá subscrever uma candidatura para instalação em Mangualde de uma Central de Biomassa. Informou ainda que tinha recusado uma proposta da Câmara de Gouveia que pretendia candidatr-se em ligação com concelhos vizinhos. Entende o senhor presidente que não devia subscrever candidaturas concorrentes.
Perante isto o Mocho apenas pede a Soares Marques que se movimente, que faça o trabalhinho de casa e que consiga trazer para Mangualde este serviço. Que não aconteça como em outros casos em que a conversa foi muita mas resultados nicles...

Publicado por mocho em junho 7, 2006 03:57 PM
Comentários

Nao sei ate que ponto, uma central englobando varios concelhos vizinhos, nao seria mais viavel. No entanto seja em conjunto, seja so, creio que centrais de biomassa, seram um grande contributo, nao so para a producao de energia, como para o contributo na limpeza do parque florestal. Algo tem que ser feito para obviar os incendios anuais, este tipo de centrais daria uma grande ajuda.

Afixado por: a. cardoso em junho 8, 2006 05:53 AM

tambem acho uma opção discutivel. Mas é uma opção.
Creio que jogar com varios concelhos e uma empresa podia ter mais força.

Afixado por: mocho em junho 8, 2006 09:43 AM

A central nao vai cair do ceu, por isso se o SM nao se mexer é mais uma que nos passa ao lado para um concelho vizinho.

Afixado por: Salgueiro em junho 8, 2006 12:21 PM

"Perante esta questão o senhor presidente referiu que está em negociações com um representante do Grupo Sonae e que em princípio, a Câmara irá subscrever uma candidatura para instalação em Mangualde de uma Central de Biomassa".

Esta deve ser igual aquela do acordo que havia entre a Camara e a empresa que anda alargar o IP5 para asfaltar de novo a Avenida da Srª do Castelo, gratuitamente. E a empresa não sabia de acordo nenhum. lol..

Vocês acreditam.... eu nãoooooooo.

Afixado por: O Cusco em junho 8, 2006 02:14 PM

Só uns pequenos apontamentos relativamente a este assunto.
Em primeiro lugar, a meta nacional para a produção de energia de origem renovável é de facto 39% mas refere-se apenas á produção de energia eléctrica. Porque refiro este aspecto ? Porque a biomassa apresenta muito maior potencial para produzir energia térmica ( sector doméstico e industrial) do que para a produçao de energia eléctrica.
Em segundo lugar, não é assim tão certo que a instalação de uma central de biomassa reduza significativamnete os risco de incendio. Convem ter em consideração que a maior parte da matéria prima de uma central desta natureza, provem das operações de abate, as quais correspondem a uma fracção muito pequena da área total ( menos de 10%).
Em terceiro lugar , também não se pode considerar que o investimento nestas centrais irá dar lugar á criação de muito emprego, nem tão pouco resultar no desenvolvimento significativo da economia local. Lembre-se que o projecto de investimento do grupo EDP, que contempla 6 centrais no Centro e Sul ( uma em Braga), e que prevê a criação de 80 postos de trabalho directo e cerca de 600 indirectos. Ora para um investimento global de cerca de 250 M€, não se pode dizer que se trata de um grando projecto do ponto de vista da economia local. Repare-se que daqui resulta uma média de 13 empregos directos e 100 indirectos por central. No caso de Mangualde não me parece que isto constitua motivo de grande euforia.
Em quarto lugar, não estou a ver em que medida a operação de limpeza das matas com entrega da biomassa na central possa constituir um negócio sufucientemente apelativo para gerar uma operação de limpeza em grande escala. Nem a central teria capacidade para tal.

A título de conclusão, penso que estamos perante mais um exemplo do envolvimento de grandes grupos económicos cujo interesse é vender energia eléctrica, e que acabam por estar nas tintas para o desenvolvimento local.
Volto a referir o ponto essencial; a biomassa deve ser usada preferencialmente para a produção de energia térmica. O negócio da biomassa deve ser um negócio de energia distribuida e de desenvolvimento local. O desenvolvimento da bioenergia de origem florestal tem muito a ganhar com a integração de outros sectores como a agricultura e o turismo (por exemplo). Este modelo de desenvolvimento parte do envolvimento das populações e agentes económicos locais e não de grandes empresas.
Podemos ter feito grandes avanços nas eólicas mas ainda temos um longo caminho a percorrer na Bioenergia e não é com este estado de coisas e com a ignorância geral que se manifesta á volta desta vertente energética que chegamos lá. É absolutamente ridículo e incompreensível o facto de as universidades portuguesas estarem completamente a zero neste domínio. Enquanto o país arde, temos os nossos chicos espertos a estudar o hidrogénio e as células de combustível !? Gente completamente inútil !

Afixado por: Luis Matos em julho 11, 2006 12:43 AM